A importância da gestão na bovinocultura

*Professor Ricardo Pedroso Oaigen

*Professora Deise Dalazen Castagnara

Neste artigo discutiremos um dos principais fatores que afetam a competitividade dos sistemas de produção na bovinocultura de corte: a GESTÃO DA EMPRESA RURAL! É importante enfatizar que este fator depende, sobretudo, da capacidade gerencial e isso envolve capacitação, visão empreendedora e inovadora e, acima de tudo da PRÓ-ATIVIDADE DO PRODUTOR RURAL, pois este é um fator controlável pela empresa rural, diferentemente do clima, dos preços, da produção de pasto,… que são afetados por inúmeros fatores “incontroláveis”.

Dizer que a gestão é importante para o sucesso de empresas rurais é um tanto quanto repetitivo, que o planejamento de qualquer atividade e/ou processo é fundamental idem. Desta maneira pretendemos enfatizar 3 conceitos e/ou processos que na nossa opinião e experiência  ainda são extremamente deficientes na rotina de empresas que atuam na bovinocultura: ORGANIZAÇÃO, ESTABELECIMENTO DE CONTROLES E ANÁLISE DE RESULTADOS. A figura abaixo representa a síntese deste ciclo:

 Ciclo de Gestçao - Deise

A organização é um processo contínuo, sistemático, criterioso e que necessita de constante atenção. É comum ouvirmos: “…por quê irei mudar? se sempre fiz desta forma e sigo na atividade…”, porém a resposta é simples: PORQUE O MUNDO MUDOU! Cabe uma reflexão aos profissionais de ciências agrárias que muitas vezes são meros difusores de tecnologia não possuindo a mínima organização das funções e/ou atividades que estão gerenciando.

A gestão de pessoas e processos auxilia na otimização da mão de obra e estrutura disponíveis no empreendimento, aumentando a capacidade produtiva do empreendimento.

Por meio da organização e da gestão de pessoas e processos é possível medir o desempenho da empresa rural.

Os sistemas de controle do empreendimento rural são conduzidos com base nos dados de desempenho deste empreendimento, fechando-se o ciclo do gerenciamento da empresa pecuária.

É comum quando se faz o diagnóstico de empresas rurais o desconhecimento em relação a quantidade de animais, o inventário de máquinas, à área total e/ou área útil da propriedade rural ou ainda dos custos, despesas, preços !! Fica a pergunta: Como gerenciar um empreendimento sem o conhecimento do seu patrimônio e/ou do próprio sistema de produção adotado?

Seguindo o nosso raciocínio, o estabelecimento de controles (zootécnicos, econômicos, pessoais,…) é um pré-requisito para mensurarmos a eficiência e competitividade das atividades desenvolvidas, pois como diz a máxima: “QUEM NÃO MEDE NÃO CONTROLA, QUEM NÃO CONTROLA, NÃO GERENCIA”. Porém, é fundamental nesta etapa a capacitação dos recursos humanos envolvidos, pois o uso adequado de qualquer sistema de gestão depende do conhecimento e do comprometimento do pessoal que coleta e processa os dados e as informações. Existem atualmente inúmeras ferramentas adequadas que dão suporte a controladoria de empresas rurais.

Cabem aos órgãos de extensão rural, universidades, centros de pesquisa e/ou outras esferas governamentais se atentarem para a capacitação do meio rural, mas não difundindo tecnologias já exaustivamente trabalhadas e sim no controle dos custos de produção, no planejamento de atividades, na gestão de recursos humanos, formas de comercialização, no uso de planilhas de análise bioeconômica, entre outros. Ou seja, a missão das instituições citadas está em proporcionar para as tecnologias de gestão já existentes, a sua aplicabilidade à nível de propriedade/empreendimento rural.

A análise de resultados é a etapa final de todo este processo e visa a TOMADA DE DECISÃO. Neste momento cabe ao produtor rural em parceria com seu consultor/assessor técnico a definição de qual a melhor estratégia a ser tomada e para isto o CONHECIMENTO SISTÊMICO E/OU HOLÍSTICO é fundamental, pois somente a visualização de todos os fatores que envolvem a gestão de uma empresa rural subsidiará o administrador na tomada pela decisão que proporcionará a maior rentabilidade do sistema de produção.

Ao final deste artigo ficam as seguintes reflexões:

  1. Será que a pesquisa não desenvolveu e validou inúmeras tecnologias para os sistemas de produção pecuários que os tornam mais eficientes e competitivos? Acreditamos que sim, o desafio agora é gerenciá-las e neste quesito ainda estamos caminhando a passos lentos…
  2. Por que algumas empresas rurais apresentam indicadores de produtividade e rentabilidade excelentes, sendo cases de sucesso no agronegócio, enquanto outras apresentam indicadores aquém do real potencial e seus proprietários e/ou técnicos reclamam constantemente da conjuntura, do governo, do clima, entre outras dificuldades? A diferença não seria de atitude? Visão empresarial e empreendedora? Pensem nisso…

Obs.: Sugestões, críticas ou questionamentos relacionados a esta coluna devem ser encaminhados por e-mail para oaigenricardo@terra.com.br ou deisecastagnara@yahoo.com.br

*Professores no Curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus de Uruguaiana.

Sobre gepsaa

Grupo de Estudo e Pesquisa em Sistemas Agroalimentares e Agroindustrias
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